Bom dia! ☕
Se você não lembra de mim: sou a Olivia, sua economista sensata (formada na USP e com mestrado em Chicago).
A OliNews é minha newsletter gratuita com o resumo do que importa na economia.
E olha, 2026 mal começou e já tá impossível acompanhar tudo... Resolvi voltar antes do carnaval porque vocês têm pedido muita análise e opinião (e eu tava com saudade disso aqui também).
🧠 Bora colocar a cabeça pra funcionar? — Oli
Combater corrupção é sempre bom pra economia?
Parece óbvio que sim, né? E eu concordo: moralmente, combater corrupção é sempre certo.
Mas saindo do debate moral — vamos pensar com um pouco de cinismo econômico?
Hoje recomendei aos assinantes do Boletim Sensata um artigo da maravilhosa Cecilia Machado na Folha.
Ela cita um estudo de Colonnelli e Prem que analisou o que acontece quando o governo federal faz auditoria surpresa em prefeituras.
O resultado: depois da fiscalização, a cidade ganha mais empresas, mais vendas, mais crédito.
Por quê? Porque corrupção funciona como um imposto invisível — protege quem tem conexão política e trava quem não tem.
Quando você combate, abre espaço pra quem é mais eficiente crescer.
Parece caso encerrado, né?
Mas aí me lembrei de uma palestra que assisti em 2016 — há exatos 10 anos.
O professor Guilherme Lichand, hoje em Stanford, defendia que combater corrupção nem sempre é bom pra economia.
Na época, esse tipo de malabarismo era comum entre defensores do governo. Mas o Lichand é um economista sério (PhD Harvard, carreira impecável) — então vale conhecer o outro lado da moeda.
Ele analisou o mesmo programa de auditorias, mas olhou pra saúde pública.
O resultado foi o oposto: as irregularidades caíram, mas a saúde da população não melhorou.
O que aconteceu? Com medo de punição, os gestores simplesmente pararam de gastar. Não gastaram melhor — gastaram menos.
E quem depende do SUS pagou o pato.
É o eterno debate liberal vs. esquerda:
→ Liberais: "Corrupção distorce o mercado. Combate e a economia floresce."
→ Esquerda: "O problema é como você combate. Se paralisa o Estado, quem sofre são os pobres."
A resposta sensata?
Os dois têm evidência empírica. Combater corrupção sem pensar nas consequências pode ser tão ruim quanto deixar rolar.
⛽ Petrobras corta gasolina: timing não é coincidência
Petrobras reduziu preço da gasolina A em 5,2% a partir de hoje — queda de R$ 0,14/litro. O preço médio nas refinarias passa a ser R$ 2,57/litro.
A defasagem em relação à paridade internacional caiu de ~10% para ~5%. Em meados de janeiro, a diferença chegou a superar R$ 0,40/litro. Diesel permanece inalterado.
A Petrobras cortou porque podia e porque convinha. O corte chega às vésperas do Copom (quarta-feira) e pode influenciar o tom do comunicado do BC. Com o real valorizado e o Brent em queda de quase 20% em 2025, manter a defasagem era insustentável — mas o timing às vésperas da decisão de juros não é acidente.
O podcast que já foi top 4 mais ouvidos do Brasil voltou em 2026. Toda semana, a sensatez que falta em ano de eleição.
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